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O que é doping?

Redação Mooblo Atualizado em 8 min de leitura

A maior arma que um atleta pode usar para vencer competições é a própria saúde. Boa alimentação, descanso e um bom condicionamento físico são a base de qualquer vitória. Mas existem substâncias químicas que prometem fazer esse trabalho mais rápido, mesmo que isso seja proibido e coloque a saúde em risco. É o chamado doping. Neste artigo, explicamos o que é doping, quais são as substâncias mais usadas, os riscos para a saúde, como funciona o controle antidoping e os casos mais famosos da história do esporte.

O que é doping

A palavra doping vem do inglês e, em português, é chamada de dopagem. Doping é o uso de substâncias ou métodos proibidos para aumentar artificialmente o desempenho de um atleta, seja ele humano ou animal, como acontece também nas corridas de cavalo. Um exemplo clássico é o uso de esteroides anabolizantes para aumentar a força e a massa muscular.

Pelas regras do esporte, doping não é só tomar uma substância proibida. Também conta como violação recusar-se a fazer o exame, manipular amostras, usar métodos proibidos, como transfusões de sangue, ou ajudar outro atleta a se dopar.

História do doping no esporte

O uso de substâncias para melhorar o desempenho é antigo. Há relatos de que atletas das Olimpíadas da Grécia Antiga bebiam preparados de plantas e seguiam dietas específicas, porque já sabiam que certos alimentos podiam dar mais energia e força.

Um dos casos mais conhecidos da história aconteceu na maratona dos Jogos Olímpicos de St. Louis, nos Estados Unidos, em 1904. A prova foi cheia de irregularidades: o primeiro a cruzar a linha de chegada, Fred Lorz, foi desclassificado ao se descobrir que tinha percorrido parte do trajeto de carro. O título ficou com Thomas Hicks, que, durante a prova, recebeu da própria equipe doses de estricnina, uma substância altamente tóxica usada em veneno de rato, misturadas com conhaque. A estricnina ajudou Hicks a terminar a corrida, mas ele desabou logo depois da chegada e quase morreu.

O controle passou a ser organizado nos Jogos Olímpicos a partir da década de 1960. Em 1999, foi criada a Agência Mundial Antidoping (WADA), que hoje publica a lista de substâncias proibidas e coordena as regras no mundo todo. No Brasil, o controle é feito pela Autoridade Brasileira de Controle de Dopagem (ABCD).

Café e energético são doping?

Algumas substâncias que melhoram o desempenho são tão comuns no dia a dia que não são consideradas doping. A cafeína, presente no café, já fez parte da lista de proibidas, mas foi liberada em 2004 e hoje é apenas monitorada pela WADA. A taurina, presente nas bebidas energéticas, também não é proibida.

Principais substâncias usadas no doping

Muitas das substâncias usadas no doping são remédios criados para tratar doenças e que acabam sendo desviados para aumentar o desempenho de pessoas saudáveis. As principais classes são:

Esteroides anabolizantes

São versões sintéticas da testosterona, o hormônio que desenvolve os músculos, aumenta os pelos e diminui o acúmulo de gordura. São a classe de substâncias mais encontrada nos exames antidoping. Entre os mais conhecidos estão a nandrolona, o estanozolol, a metandrostenolona (conhecida como Dianabol) e a drostanolona.

O ator e ex-fisiculturista Arnold Schwarzenegger já admitiu ter usado esteroides nos anos 1970, quando eles ainda não eram proibidos no fisiculturismo.

EPO (eritropoietina)

A eritropoietina é um hormônio que estimula a produção de hemácias, as células do sangue que transportam oxigênio. Na medicina, é usada para tratar a anemia de pacientes com doença renal crônica ou em quimioterapia. No esporte, é usada principalmente em provas de resistência, como ciclismo e corrida, porque mais oxigênio nos músculos significa mais fôlego. O risco é que o sangue fica mais grosso, o que aumenta as chances de trombose, AVC e infarto.

GH (hormônio do crescimento)

O GH, do inglês growth hormone, é usado na medicina para tratar distúrbios de crescimento, como a deficiência de hormônio do crescimento e a síndrome de Turner. Desde os anos 1990, passou a ser usado no esporte para ganhar músculos e perder gordura. O uso indevido pode causar dores nas articulações, retenção de líquido, diabetes, problemas no coração e crescimento anormal de mãos, pés e mandíbula.

Outras classes proibidas

  • Estimulantes: como anfetaminas, aumentam o estado de alerta e reduzem a sensação de cansaço.
  • Diuréticos e agentes mascarantes: usados para perder peso rapidamente ou para esconder outras substâncias no exame.
  • Beta-2 agonistas: remédios para asma que, em doses altas, podem ter efeito anabolizante.
  • Betabloqueadores: proibidos em esportes de precisão, como o tiro, porque reduzem o tremor das mãos.
  • Doping sanguíneo: transfusões de sangue para aumentar a quantidade de hemácias.

Os riscos dos anabolizantes para a saúde

Os riscos não atingem só atletas profissionais. Muitas pessoas usam anabolizantes por conta própria em academias, sem acompanhamento médico, e estão expostas aos mesmos problemas.

Nos homens

Quando o corpo recebe testosterona de fora, ele para de produzir a sua própria. Com isso, os testículos, que são os responsáveis pela produção, diminuem de tamanho, e a fertilidade pode cair. Além disso, o excesso de testosterona é parcialmente transformado pelo corpo em estrogênio, o hormônio sexual feminino, o que pode fazer crescer tecido mamário no peito masculino, a chamada ginecomastia.

Nas mulheres

Como as mulheres produzem bem menos testosterona, os efeitos dos anabolizantes são ainda mais intensos. Eles causam masculinização: voz mais grossa, aumento de pelos no rosto e no corpo, alterações menstruais e mudanças no corpo que, em muitos casos, são permanentes, mesmo depois de parar o uso.

Um exemplo marcante é o de Andreas Krieger, ex-atleta de arremesso de peso da antiga Alemanha Oriental. Ele competia na categoria feminina e, desde os 16 anos, recebia anabolizantes sem saber, como parte de um programa estatal de doping do país. Anos depois, Krieger passou pela transição de gênero e se tornou uma voz importante contra o doping e a favor das vítimas daquele sistema.

Em ambos os sexos

  • Problemas no coração, aumento da pressão e do colesterol ruim;
  • Danos ao fígado;
  • Acne intensa e queda de cabelo;
  • Alterações de humor, agressividade e depressão;
  • Em adolescentes, parada precoce do crescimento.

Como funciona o exame antidoping

Os atletas podem ser testados durante as competições ou de surpresa, a qualquer momento, inclusive em casa. A amostra, geralmente de urina e às vezes de sangue, é dividida em dois frascos lacrados, A e B. O frasco A é analisado. Se der positivo, o atleta pode pedir a análise do frasco B como contraprova.

Hoje também existe o passaporte biológico, um acompanhamento dos marcadores do sangue de cada atleta ao longo do tempo. Mudanças fora do padrão podem indicar doping, mesmo que a substância em si não seja encontrada.

Pelas regras, o atleta é responsável por tudo o que entra no seu corpo. Se uma substância proibida aparecer no exame, ele é punido mesmo que diga que não sabia. Por isso, os atletas precisam ter cuidado até com suplementos, que podem vir contaminados. Quem precisa de um remédio que está na lista para tratar uma doença pode pedir uma autorização de uso terapêutico.

Punições

As punições vão de advertência à suspensão por vários anos, além da perda de medalhas, títulos e premiações. Pelo Código Mundial Antidoping, o uso intencional de substâncias proibidas pode levar a até quatro anos de suspensão na primeira violação.

Casos famosos de doping

  • Thomas Hicks (1904): venceu a maratona olímpica após receber estricnina durante a prova.
  • Ben Johnson (1988): o velocista canadense venceu os 100 metros nos Jogos de Seul com recorde mundial, mas perdeu a medalha de ouro dias depois por uso de estanozolol.
  • Alemanha Oriental (anos 1970 e 1980): um programa estatal deu anabolizantes a milhares de atletas, muitos deles adolescentes e sem saber o que estavam tomando.
  • Lance Armstrong (2012): o ciclista americano perdeu os sete títulos do Tour de France após investigações comprovarem o uso de EPO, transfusões e outras substâncias.

Perguntas frequentes sobre doping

Suplemento pode dar doping?

Pode. Alguns suplementos são contaminados com substâncias proibidas durante a fabricação ou têm ingredientes que não aparecem no rótulo. Atletas devem usar apenas produtos de fabricantes confiáveis e com orientação profissional.

Remédio para gripe pode dar doping?

Alguns podem, principalmente os que têm estimulantes como a pseudoefedrina em doses altas. Atletas devem sempre conferir a lista da WADA ou consultar o médico do esporte antes de tomar qualquer remédio.

Quem usa anabolizante na academia pode ser punido?

Quem não compete não passa por controle antidoping. Mas, no Brasil, os anabolizantes só podem ser vendidos com receita médica controlada, e o uso sem acompanhamento traz riscos sérios para a saúde.

O que acontece se o atleta se recusar a fazer o exame?

A recusa é considerada uma violação das regras antidoping, com punição semelhante à de um resultado positivo.

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